sábado, 8 de agosto de 2009

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O Rio São Francisco: acqua mater
Dom frei Luiz Flávio Cappio (*)

Antes de viajar para a Alemanha para receber o Título de Cidadão do Mundo(2), dia 5 de maio de 2009, na PUC Minas, em Belo Horizonte, MG, na abertura do III Simpósio Internacional de Teologia e Ciências da Religião, Dom Cappio, o bispo que já fez duas greves de fome contra a Transposição de águas do Rio São Francisco e pela defesa do Rio São Francisco e do seu Povo, nosso querido frei Luz proferiu a seguinte conferência:

Que mundo deixaremos para nossos filhos, netos? Que planeta estamos preparando para as futuras gerações?É uma questão elementar de justiça. O sagrado direito que cada um de nós possui de poder viver em um ambiente sadio, digno de seres humanos, propício à vida com qualidade para cidadãos e cidadãs deste planeta, corresponde ao igual dever que nos compete de propiciar estes mesmos direitos às futuras gerações. Herdamos um mundo, um planeta que nos foi legado por aqueles que vieram antes de nós, que prepararam a casa onde hoje moramos, onde vivemos, onde realizamos nossa existência.Cabe-nos fazer o mesmo para aqueles e aquelas que virão depois de nós, que herdarão o planeta que tivermos preparado para eles. Isso e uma questão de justiça.
Amanhã, quando o sol nascer de novo com seu calor e vida; As flores nos acolherem com suas variadas cores e perfumes; Ouvirmos o canto dos pássaros e a brisa fresca beijando nosso peito; Nossos lábios sorverem as águas puras da fonte enquanto contemplamos as verdes altas montanhas e o azul profundo dos oceanos;Poderemos ouvir dos que virão depois de nós: "Obrigado pelo mundo que vocês prepararam para nós. Obrigado pelo planeta, qual jardim, que vocês nos legaram. Obrigado pelas sementes de vida que vocês plantaram para que pudéssemos colher seus abundantes frutos. Obrigado, muito obrigado."Ou, depois de amanhã, quando não mais houver amanhecer, mas apenas uma claridade enfumaçada, coberta por nuvens ácidas;Quando nossa visão enfraquecida e nossos corpos se esvair em feridas purulentas provocadas pela radiação tóxica causada pelo enfraquecimento da camada de ozônio; Quando, em vez de água, tivermos que beber um suco pastoso de coliformes fecais temperado com ingredientes químicos das mais nocivas origens;Quando a paisagem se tornar um imenso deserto sem vida, sem a canção dos pássaros, sem a melodia de vozes humanas, porque ninguém mais terá ânimo para cantar e sim para gritar desesperadamente pelas dores lancinantes de ossos e músculos em decomposição;E as mães, por amor, tiverem que abortar os filhos para que não sejam mais sofredores condenados a esse vale de lágrimas;Ouviremos nossos filhos e netos, com dedo em riste apontando para nós, olhos esbugalhados, roendo palavras desconexas de ódio e rancor, gritarem: "Malditos, demônios, filhos das trevas e do mal, olhem para esse inferno para o qual fomos condenados. Vocês são os responsáveis pela desgraça que nos envolve, fazendo-nos desgraçados com elas."Que mundo, que planeta legaremos para nossos filhos e netos? Isso é uma questão de justiça. Poderemos ser justos cumprindo nosso sagrado dever de zelar e cuidar dessa riqueza infinitaque nos foi confiada, ou podemos ser profundamente injustos assumindo a postura irresponsável e inconsequente dos que apenas exploram e usufruem do tesouro de incomensurável valor que é a natureza, mãe da vida.“Deus perdoa sempre, os seres humanos, de vez em quando, a natureza não perdoa nunca”. Se nós a agredirmos, mais cedo ou mais tarde ela dará sua resposta. A vida que hoje vivemos herdamos de nossos ancestrais. Nós estamos construindo o Planeta em que os que virão depois de nós nele viverão. A vida não se improvisa. Em cinco minutos colocamos no chão uma árvore centenária. Serão necessários mais cem anos para que tenhamos outra semelhante. Isso se tivermos o cuidado de plantar outra e cuidar, cuidar e cuidar.

fonte: http://www.franciscanos.org.br/ecologia/agua/artigos2009/19.php

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